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Case 02 / DesignOps

SINAL.

Uma linguagem compartilhada para tornar a capacidade de times criativos visível e acionável.

Gestão de DesignPesquisa AplicadaDesign de Serviço
0Livre
1Leve
2Equilíbrio
3Cheio
4Pesado
5No limite
Problema

Quando estar “cheio” não significa ter trabalho

Ao liderar um núcleo com mais de 10 designers, eu encontrava uma situação recorrente: parte da agenda era considerada ocupada por alterações, retornos ou projetos que ainda nem tinham chegado. Não era falta de organização, mas uma forma de proteção contra a sobrecarga. O efeito coletivo, porém, era uma visão distorcida da capacidade real do time.

Cada nova demanda exigia uma triangulação: perguntar quem estava disponível, conferir agendas, avaliar a complexidade do trabalho e calcular o risco para cada cliente. A decisão ainda nem tinha sido tomada e uma parte considerável do expediente já havia sido consumida.

“Cada demanda chegava com um custo invisível: o tempo necessário apenas para descobrir quem poderia executá-la.”

Diagnóstico

Ocupação defensiva

Comecei a chamar esse comportamento de ocupação defensiva: quando alguém reserva mentalmente parte da semana para um trabalho hipotético e, por precaução, já se declara sem espaço. Individualmente, é uma tentativa compreensível de se proteger. Coletivamente, faz a gestão virar adivinhação, concentra demandas em quem nunca diz não e dificulta a colaboração entre pares.

Hipótese

O time não precisava de outra ferramenta. Precisava de uma linguagem.

A hipótese foi transformar uma percepção subjetiva em um código compartilhado, simples o bastante para responder a uma única pergunta: “Como está sua semana?” Se todos usassem a mesma referência, a capacidade deixaria de existir apenas na memória da liderança e passaria a ser visível para o próprio time.

“O SINAL. não é um sistema de controle. É uma linguagem compartilhada.”

Sistema

Uma escala de 0 a 5

O protocolo organiza a capacidade semanal em seis níveis. Quem está entre 0 e 2 pode atuar como parceiro da semana; quem está entre 3 e 5 sinaliza uma agenda comprometida ou necessidade de apoio.

Nível Estado Leitura
0LivrePode apoiar outras pessoas
1LevePode apoiar outras pessoas
2EquilíbrioPode apoiar demandas pontuais
3CheioAgenda comprometida
4PesadoSem espaço no momento
5No limitePrecisa de apoio

A rotatividade era central: estar disponível em uma semana não transformava ninguém no “designer livre” permanente. O sistema ajudava a interromper uma lógica comum em equipes criativas — recompensar as pessoas mais rápidas e responsáveis com ainda mais trabalho.

“A recompensa de quem é bom não pode ser receber sempre mais trabalho.”

Funcionamento

Linguagem, ritual, interface e coordenação

Na segunda-feira, cada designer respondia “Como está sua semana?”. O sinal aparecia em um dashboard coletivo e orientava conversas de redistribuição. Na quarta-feira, a pergunta mudava para “O que mudou desde segunda?”, permitindo corrigir a rota depois de novas demandas, adiamentos ou ajudas realizadas.

O produto combinava quatro camadas: uma linguagem comum de capacidade, um ritual semanal, uma interface de visualização e uma dinâmica de colaboração entre quem podia apoiar e quem estava no limite.

Construção

Do hábito informal ao produto

Desenhei o protocolo, a identidade e a experiência; desenvolvi a aplicação em Next.js; defini a arquitetura com Vercel e Google Sheets API; e implementei o experimento dentro do time. A planilha funcionava ao mesmo tempo como banco de dados e camada de transparência.

A ausência de login foi uma decisão de produto: reduzir fricção, preservar o caráter voluntário da ferramenta e evitar qualquer leitura de fiscalização. O registro mais recente de cada designer por semana prevalecia no dashboard, com uma janela de atualização até quarta-feira.

Testes

O sistema mudou quando encontrou o time

A primeira versão foi testada com seis designers. Acompanhei o uso como uma sessão de pesquisa e usabilidade, observando dúvidas, interpretações da escala e pontos de fricção. Os testes levaram a ajustes concretos: apelido opcional para nomes duplicados, visualização em grid para leitura rápida, o roxo como cor do nível de equilíbrio e uma pergunta específica para a atualização de quarta-feira.

Evidências

De horas de triangulação para uma decisão em segundos

Durante três meses, o SINAL. registrou 110 sinalizações de capacidade e apoiou decisões reais de redistribuição. Conversas que antes exigiam checagens sucessivas passaram a começar em menos de um minuto: eu olhava o dashboard, entendia o estado geral do time e conseguia agir com muito mais clareza.

A escala não substituía a gestão nem decidia sozinha quem receberia cada projeto. Ela eliminava uma parte importante da névoa. O tempo antes gasto para descobrir quem estava disponível passou a ser usado para melhorar briefings, antecipar riscos e organizar melhor a chegada das demandas.

O resultado mais relevante não foi apenas o dashboard. A linguagem começou a funcionar fora dele: responder “estou 2” ou “estou 5” já era suficiente para orientar uma conversa. Alguns designers que raramente pediam ajuda também passaram a sinalizar quando precisavam dela. Ao longo de 10 semanas, o sistema também permitiu absorver 21 projetos extras dentro da capacidade já existente do time — demanda que, sem essa visibilidade, provavelmente teria exigido contratação de freelancer. Isso significou custo evitado para a agência sem abrir mão de prazo ou qualidade de entrega.

Conheça o SINAL.
Aprendizado

O produto era o ritual

O SINAL. me ajudou a reconhecer uma característica recorrente no meu trabalho: existem situações em que um grupo vive um problema, mas ainda não possui uma linguagem para descrevê-lo. Meu papel é pesquisar esse espaço, articular o que está disperso e construir uma estrutura provisória que permita às pessoas enxergarem juntas.

110sinalizações registradas
3 mesesde uso contínuo
10+designers no núcleo
0–5linguagem compartilhada
Cliente Interno — B-Young
Ano 2026
Minha função Pesquisa aplicada, estratégia de produto, design de serviço, UX, desenvolvimento e implementação
Equipe Aplicado a um núcleo de mais de 10 designers